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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Deita-te no meu Corpo


Incendeia-o em ardências ansiosas
Hoje, que o cheiro de jasmim
Desmaia febril nos meus cabelos.

Ama-me com a amplitude
De quem renasce num abraço
Dado com a força descontente
E uma voracidade sem nome.

Sê o meu Deus e o meu norte!

Depois
Quando me desfizer em mar
Sê o meu porto e o meu farol
Tatua teus beijos na minha pele.

(Vóny Ferreira)

domingo, 11 de dezembro de 2011



andas por meus olhos
pelos pulsos rasgados
pelas horas que choram
embriagando meu peito de abismos

falo, com a voz que morre
(a alma em carne viva)
vá, seca a fonte de todas as perseguições
espreme profundamente tua melodia
até calar tua voz dentro de mim

porque se vivo sem essa saudade
(que é maior que a vida)
quero afogar-me para sempre
(do que morre) na realidade dos meus olhos

... minha voz não dorme mais nem os poetas
enche, pois de mundo o silencio...


Vania Lopez

domingo, 27 de novembro de 2011

RESPOSTAS INCERTAS



Não tenho respostas
para tamanho anseio
apenas detenho o medo
que me anuncia
as imensas perguntas
que me beliscam
quando tu e eu
somos o relevo
de imagens inflectidas.

Tenho o olhar triste
fixado no chão
A impaciência esticada
de quem tem pressa
Um sorriso quente
que se transforma em brisa
e se dilui
No céu da boca.

Não tenho respostas
muito menos certezas
apenas lampejos de luz
a anestesiar a memória
um rio cristalino
a nascer por entre as letras
com que descruzo
as linhas mais incertas!

(VÓNY FERREIRA)

sábado, 24 de setembro de 2011

ÓVULO



(Dedicado à Poeta Lila Marques)

É nas nossas mãos abertas
Que brotam como gritos mudos
Flores perfumadas de amendoeiras
Um mar de estrelas iluminando sonhos.

Não sei bem o nome que lhe dê
Sei que dos olhos nascem goiabas
Das emoções que ninguém vê
O misticismo único da lua cheia.

Ah, soubera eu o nome concreto
Deste agitar de pássaros sem asas
Que chilreiam por entre o silêncio
Que esvoaçam num céu de palavras
Talvez eu descobrisse finalmente o mundo
Onde nascemos filhas do mesmo óvulo.

(VÓNY FERREIRA)
Nota: Este poema foi inspirado no da Lila Marques intitulado "Nome" Leia aqui...
http://www.liriolilasblogspot.blogspot.com/ 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O começo do fim!



Cega de te ver ainda mais longe
A distância vai oprimindo
As pulsações de um coração cansado.
Os crisântemos já não florescem
Nas lágrimas que alimentam o sorriso.


O que é feito de nós?
Em que labirintos nos perdemos?
Somos o queríamos?
Ou apenas o que sonhamos?

Ah, e nós que descobríamos o sol
No Himalaia, gelado, gelado…


Que velejávamos em caravelas
Agarrando a espuma das ondas
Com as nossas mãos entrelaçadas
Com cânticos de cigarra na voz
Sentindo que o mundo, começava em nós…!

(VÓny Ferreira)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DEIXA-ME SER...



Deixa-me ser o teu veneno

o nada que semeia o teu sempre

o segundo breve da tua intuição.



O mel puro que se dilui

no beijo que morre nos teus lábios

e renasce escaldante no meu coração.



Deixa-me ser a promessa iniciada

no fim da linha onde me dissipo

segura de tudo e de nada!


(VÓNY FERREIRA)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011



Da morte de onde venho
O vento era o Deus maior
Desdobrava as más notícias
Em bocejos de mar e sol

 

Alguns plátanos eram templos
Nos pinheiros dormiam só cisnes
Tocava-se no céu com os dedos
Num ressuscitar de luz plena.

Todo o sorriso era abençoado
Pelo cântico de canários radiantes
E quem ousasse maus procedimentos
A vida seguinte tornava-se impossível!


(Vóny Ferreira)